Foi
num dia 23 de junho. E foi no ano passado. Eu ia pra um date e, de verdade,
não esperava nada demais. Já tinha tido tanta decepção que, de verdade, mais
uma não faria diferença.
Chego
na margem esquerda, vejo o carinha e faço uma radiografia completa: Regata branca,
calção marfim, havaiana branca. Pensei: “ele também não tá botando muita fé não...”.
Reparei no boné que ele usava e bolei uma estratégia pra já me aproximar falando
(essa minha estratégia reúne várias vantagens: pula a parte chata da
apresentação formal e de eventual timidez, economiza os vácuos de assunto que
às vezes rola e, melhor argumento: economiza o tempo!). Um ponto importante: em
dates, eu costumava ser objetiva, mas também autêntica. Se não fosse pra
ser não seria e pronto.
“–
ah, legal, é de Cuba?”, eu puxei o assunto. Ele sorri (acho que ficou meio
assustado de eu já chegar falando), a gente se cumprimenta, e ele confirma,
dizendo que é um dos países pra onde ele pretenderia viajar. Ele emenda com alguma
fala e se assume comunista. “– menos mal”, pensei, sem verbalizar. Daí o
assunto fluiu. A minha melhor lembrança é do quanto eu achei engraçada aquela
fala que trocava o “R” pelo “L”. Reparei muito bem também nos olhos, que jamais
precisariam de lápis ou rímel (já vieram com um delineado natural). E o cabelo baixinho,
do jeitinho que eu gosto. E as pernas. E tudo mais.
Hoje
é 23 de junho e já faz um ano desse dia! Amanhã a gente completa um mês de
casados. Como a vida é louca (minha limitação linguística não me permite uma metáfora
mais adequada). É uma loucura boa, sabe. Uma loucura que presenteia a gente, se
a gente se abre à experiência com autenticidade, não fica obcecado com
planejamentos e métricas sobre a própria vida e simplesmente se permite. Alguns
dias atrás, conversando sobre esse boné e esse primeiro diálogo, ele me disse
que poderia ter dito qualquer outra coisa, mas preferiu ser autêntico. Falou
logo que era comunista, porque se não fosse pra ser, simplesmente não seria.
Hoje eu vejo como eu tinha uma visão equivocada sobre o amor. Esse que é uma mistura tão doida dos pieguíssimos contos de fadas com o rebuliço de altos e baixos das tramas de novelas. O melhor amor é o da vida real. Que passa pelas loucuras e manias, pelas limitações, pela falta de paciência, pelos perrengues de posto de saúde e UPA, pelo cansaço, pelo tédio, por cortar tempero e pôr roupa pra lavar, pelo romance, pelo carinho, pela dança (desajeitada que seja), pelo dormir e acordar do lado, pela correria dos compromissos, pelos beijos e carícias, ou só pela quietude do contentamento de se saber que aquela pessoa está ali, do lado, sem pretensão nenhuma, e simplesmente ser.
De verdade, como é bom quando a vida
surpreende a gente assim. E como todo mundo deveria deixar-se surpreender. Te
amo, Diego Sousa, meu date mais improvável e meu companheiro de “pra
sempre”.
Esse texto foi escrito por Mônica Matias para Diego Sousa.

Comentários
Postar um comentário