Um camarada não morre, ele deixa um legado

No domingo passado (18), tivemos a infelicidade de perder um grande ser humano. Pra mim, um grande camarada, amigo que era quase um irmão.

Quem nos deixou foi o meu amigo Junio Justo (e é desse jeito que ele me disse que se escrevia seu nome) numa tragédia. De uma forma triste, ele nos deixou após uma queda de moto às 01h da manhã.

Justo era um cara de grande coração. Tivemos uma boa amizade nos últimos três/quatro anos. Saímos com muita frequência quando eu morava nas Pedrinhas, seja para happy hours ou para correr na Vila Olímpica. Era um cara massa.

Mas também tem um lado que muitos não conheciam dele. Além de paizão, bom companheiro e bom filho, Justo era também um militante.

Ele era doido pelo PCdoB e chegou a preencher a ficha de filiação. Quando ia aos atos, sempre pegava minha bandeira para bater foto com ela. E sempre também gostava de discutir racismo nas mesas de bar.

Nunca me esquecerei quando ele viu a família de uma mulher negra indo almoçar no Aqui Agora (era a família de uma das garçonetes que nos atendia) e ele, emocionado, disse: 'Ai, tá sendo o dia mais feliz da vida dela.' Isso foi muito massa de ouvir.

Justo sempre exaltava como ser negro é ser lindo. Como essa cor é bela.

Foi um amigo/camarada muito presente e que nos fará falta demais. Justo estava muito contente pela minha felicidade e pelo meu casamento. Todo dia me mandava mensagem brincando. Inclusive, o último áudio que ele mandou para sua companheira, a Mousiely, foi rindo de um story meu publicado no WhatsApp. Saber disso mexeu e mexe muito comigo.

Sinceramente, para mim, essa camarada não morreu. E, pela nossa tradição revolucionária, ele não morreu mesmo.

Obrigado por tudo, caro amigo. Pela amizade, conselhos, por me fazer rir todos os dias e por ser um irmão mais velho para mim. Você nunca se esqueceu de mim. E sábado irei casar com a mulher da minha vida, sabendo que esse meu grande amigo torcia muito por isso.

Sei que você estava feliz e ansioso por estar presente nessa cerimônia. Conte com minhas orações.

“Seguiremos fortes e em militância!” – Junio Justo

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